Vitamina K2

O corpo humano é um organismo complexo, dependente de interações e inter-relações entre órgãos, enzimas, vitaminas e hormonas. Sempre que se toma um suplemento, principalmente em doses mais altas, o equilíbrio dos outros nutrientes é afectado.

Por exemplo, se se tomar um suplemento de zinco, deve-se tomar cuidado para que não ocorra um desequilíbrio do cobre no organismo. Esses dois nutrientes se equilibram e, caso haja um desequilíbrio, é possível vir a provocar uma toxicidade de zinco ou de cobre.

O mesmo vale para as vitaminas K e D. Quando a proporção entre as duas não está em equilíbrio, pode levar a um aumento nos riscos de doenças cardiovasculares (DCV), derrames e ataques cardíacos.

Mas a suplementação de vitaminas não é a única coisa que pode causar um desequilíbrio. Em uma revisão realizada recentemente, pesquisadores descobriram uma relação entre o uso de medicamentos para reduzir o nível de colesterol e tratar o diabetes tipo 2 com uma inibição da absorção da vitamina K dos alimentos.

Vários medicamentos reduzem a absorção de vitamina K2

A revisão associou o uso de medicamentos para o tratamento de DCV e diabetes tipo 2 com uma inibição dos processos da vitamina K2. Os efeitos negativos resultantes da pouca absorção da vitamina K2 podem aumentar os riscos de DCV, diabetes, doença renal crónica, perda óssea e até mesmo transtornos mentais.

A pesquisa descobriu a existência de um mecanismo compartilhado entre o anticoagulante varfarina, as estatinas e óleos vegetais na inibição dos processos que dependem da vitamina K. O anticoagulante varfarina funciona reduzindo a coagulação do sangue através de um efeito antagonista sobre a vitamina K.

Foi assim que o medicamento foi criado. Até mesmo a ingestão de alimentos com vitamina K pode reduzir a eficiência da varfarina. A pesquisa também descobriu que:

O uso de medicamentos para tuberculose ou anticonvulsivantes durante a gravidez pode aumentar o risco de deficiência de vitamina K para o recém-nascido.

O uso de antibióticos de amplo espectro pode alterar a microbiota intestinal, reduzindo a eficiência do intestino na sintetização da vitamina K2. Entre as classes de medicamentos associados com essa alteração, estão as cefalosporinas e os salicilatos.

As estatinas, desenvolvidas para reduzir os níveis de colesterol, também afectam negativamente a absorção da vitamina K2 e inibem a coenzima Q10 (CoQ10), ambos necessários para a saúde do sistema cardiovascular.

O Dr. Hogne Vik, médico chefe da NattoPharma, uma empresa líder em pesquisas e desenvolvimento da vitamina K2, disse:

"Além de estarmos finalmente vendo um reconhecimento de que o fornecimento da vitamina K2 pela alimentação é lamentavelmente insuficiente, há um crescente número de evidências de que os fármacos pioram o problema da nossa limitação de vitamina K2, o que pode causar consequências possivelmente perigosas para a saúde humana."

As interações entre a vitamina K2 e o sistema cardiovascular

Um factor de risco considerável do desenvolvimento de DCV é o acúmulo de cálcio no sistema arterial. A formação de placas nas paredes das artérias pode levar à quebra de pequenos pedaços, causando a formação de coágulos. Essa é uma das razões mais comuns para ataques cardíacos ou derrames.

A calcificação dessas formações de placas ocorre juntamente com a progressão da aterosclerose, o que pode predizer riscos de se vir a sofrer eventos cardiovasculares no futuro.

Uma metanálise de 30 estudos, incluindo mais de 218.000 participantes, descobriu que a calcificação nas artérias estava associada a um aumento de 300% a 400% nos riscos de eventos cardiovasculares (como um ataque cardíaco) ou morte.

A vitamina K2 regula a calcificação arterial através da modulação proteica. Em um estudo, os participantes que tinham níveis mais altos de vitamina K2 tinham 52% menos de probabilidades de sofrer calcificação arterial e 57% menos de morrer por uma doença cardíaca dentro de um período de 7 a 10 anos.

A insuficiência de vitamina K2 na alimentação também pode levar a uma carboxilação abaixo do ideal e à inactividade biológica da proteína Gla da matriz (MGP), sendo que ambas reduzem a protecção do sistema cardiovascular contra a calcificação do sistema arterial.

As vitaminas D e K2 precisam estar em equilíbrio

A vitamina D influencia ou é importante para vários factores, como:

Saúde ocular

Prevenção da degeneração macular

Prevenção do ressecamento dos olhos

Saúde do sistema imunológico

Prevenção de doença intestinal

Redução dos efeitos de doenças reumáticas

Redução dos efeitos da esclerose múltipla

Redução dos efeitos de lúpus

Combate ao HIV/AIDS

Redução da depressão

Diminuição do risco de asma infantil

Diminuição do risco de certos tipos de cancro

Redução dos sinais de envelhecimento

Prevenção da demência

Prevenção de doenças cardíacas

A deficiência da vitamina D pode ainda contribuir para vários problemas de saúde, dos quais, todos aumentam os riscos de doenças cardíacas. Tais problemas incluem pressão alta, diabetes tipo 2, aterosclerose e aumento das inflamações no corpo.

No entanto, assim como a maioria das outras vitaminas e nutrientes, nenhum nutriente funciona independentemente dos outros. Por exemplo, a maior parte dos leites pasteurizados está fortificada com vitamina D. Os fabricantes reconhecem que erradicaram a vitamina D natural do leite, necessária para a absorção do cálcio, e por isso a adicionam.

Enquanto a vitamina D participa na absorção do cálcio, a vitamina K2 direcciona o cálcio para os ossos e dentes. Em outras palavras, é a vitamina K2 que ordena o corpo a depositar o cálcio nos ossos e dentes, e não nos órgãos, artérias, músculos ou tecidos moles.

Uma boa analogia é que a vitamina D é o porteiro, que permite a entrada do cálcio, e a vitamina K2 é o polícia de trânsito, que indica ao cálcio para onde se deve dirigir. Com a vitamina D e o cálcio, tem-se um tráfego, mas sem a vitamina K2, há um engarrafamento no trânsito e o cálcio é depositado exactamente onde é altamente prejudicial: nas artérias.

Com um aumento no consumo de vitamina D e cálcio para "ficar com ossos mais fortes", é possível aumentar os riscos de DCV, caso a alimentação não seja rica em fontes de vitamina K2. Para agravar ainda mais os riscos, talvez se esteja tomando medicamentos ou se tenha sofrido alterações na microbiota intestinal, reduzindo a absorção da vitamina K2.

O papel da vitamina K2 na osteoporose

A osteoporose causa mais de 8,9 milhões de fracturas no mundo. Isso significa que, a cada três segundos, ocorre uma fractura devido à osteoporose. No mundo inteiro, 1 a cada 3 mulheres e 1 a cada 5 homens com mais de 50 anos sofrem uma fractura relacionada com a osteoporose.

A saúde dos ossos está relacionada com vários factores. A densidade do osso e a sua formação estão relacionadas com a força óssea. Quando se tem densidade sem uma formação adequada, o risco de fracturas pode aumentar. O organismo necessita de vários nutrientes para fortalecer os ossos.

A vitamina K2, em conjunto com a vitamina D, magnésio, fósforo e cálcio, ajuda o corpo a desenvolver ossos fortes, podendo reduzir os riscos de osteoporose. Isso acontece porque os nutrientes do corpo funcionam de maneira interconectada.

A vitamina K é essencial para o desenvolvimento adequado de várias proteínas relacionadas com os ossos, incluindo a osteocalcina, MGP e periostina. A vitamina K é ainda um cofactor na produção de gama-glutamil carboxilase (GGCX). Uma pesquisa recente relacionou o baixo nível de GGCX e/ou vitamina K2 com defeitos na mineralização óssea.

Isso significa que, sem a vitamina K2, o corpo desenvolve ossos defeituosos, reduzindo a consistência dos mesmos e aumentando os riscos de fracturas devido à desmineralização óssea.

A vitamina K é fundamental para os dentes e para a prevenção do cancro.

Os dentes, assim como os ossos, são depósitos de cálcio, o qual, suporta a estrutura e rigidez dos dentes. Mas a forma como o cálcio é depositado nos dentes pode torná-los mais rígidos ou mais frágeis.

Novamente, a vitamina K2 age como um polícia de trânsito, indicando ao cálcio onde e como ele deve ser usado nos dentes. Em conjunto com a vitamina D, a vitamina K2 promove a redução do apodrecimento dos dentes e da formação de cáries. O processo de deposição do cálcio em regiões do corpo onde o nutriente não é encontrado normalmente equivale a colocar areia nas engrenagens de uma máquina. De facto, a distribuição inadequada de cálcio pode contribuir para o desenvolvimento de:

Pedra nos rins

Cancro colorretal

Cancro de fígado

Cistos de ovário

Cancro nos ossos

Cancro de mama

Cancro de próstata

Cancro de pulmão

Demência

Leucemia

Varizes

Degeneração macular

Médicos alemães avaliaram os efeitos das vitaminas K1 e K2 no desenvolvimento e tratamento de cancro de próstata e descobriram que as pessoas que consumiram quantidades maiores de K2 apresentaram uma incidência 63% menor de cancro de próstata avançado.

A vitamina K2 demostrou uma capacidade de induzir a destruição celular em células leucémicas fora do corpo. A vitamina também demostrou efeitos inibitórios em mielomas e linfomas. Após o tratamento de cancro de fígado, 13% dos pacientes que tomaram suplementos de K2 sofreram uma reincidência da doença, enquanto que, para os pacientes que não tomaram suplementos, a taxa de reincidência foi de 55%.

Aproveitar os benefícios da vitamina K2

Como descobrir se se tem deficiência de vitamina K2? De acordo com a Dra. Rhéaume-Bleue, existem várias questões que se devem colocar e, dependendo das respostas, determinará se existe deficiência ou não.

1 - Sofre de problemas de saúde associados à deficiência de vitamina K2? Alguns desses problemas foram mencionados acima.

2 - Consome carnes, laticínios ou queijos de animais alimentados a pasto? Esses alimentos são mais ricos em vitamina K2, ou seja, são mais saudáveis.

3 - Ingere alimentos fermentados? As bactérias produzem vitamina K2 nos alimentos durante os processos de fermentação. Natto (grãos de soja fermentados) é uma das melhores fontes de vitamina K2.

4 - Outros alimentos fermentados, como o kimchi, também contêm vitamina K2. A melhor forma de se conseguir K2 é fermentando os próprios vegetais utilizando uma cultura especial de bactérias que produzem essa vitamina.

5 - Consome queijos Brie, Gouda ou patê de fígado com frequência? A fermentação do queijo produz vitamina K2. Laticínios fermentados fornecem cerca de um terço da quantidade de vitamina de uma porção de Natto. Idealmente, recomenda-se queijos fermentados a partir do leite cru. É importante saber que o leite cru não contém K2. A vitamina é produzida durante o processo de fermentação.

Se esses alimentos não costumam fazer parte da sua alimentação, então provavelmente tem deficiência de vitamina K2 e é aconselhável tomar um suplemento. Hoje em dia, ainda não existem exames confiáveis para determinar o nível de vitamina K2. No entanto, embora seja uma vitamina solúvel em gordura, não há conhecimento sobre sua toxicidade em nenhuma dosagem.

É fundamental tomar o suplemento juntamente com alimentos com gorduras saudáveis para aumentar a absorção da vitamina. Das duas formas da vitamina K2, MK4 e MK7, a segunda corresponde ao suplemento mais eficiente a ser consumido, devido à sua melhor biodisponibilidade.

A MK4 é um produto sintético, com uma meia vida biológica muito curta, de cerca de uma hora, tornando-o um fraco candidato como suplemento alimentar. Após alcançar o intestino, esta, permanece, em maior parte, no fígado, onde é útil para sintetizar factores coagulantes. A MK7 é mais nova, com mais aplicações práticas, pois permanece no organismo por mais tempo. Sua meia vida é de três dias, o que significa uma maior probabilidade de aumentar o nível de K2 no sangue de forma consistente. A MK7 é extraída do Natto, um produto japonês à base de soja.

A pressão alta, também chamada de hipertensão, é um problema de saúde predominante, com pelo menos 75 milhões de pessoas nos EUA. Existem cerca de 1 em cada 3 adultos, sofrendo da doença actualmente.

Fonte: Dr. Mercola

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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