Stress causa danos ao intestino

Todos os sentimentos produzem alterações psicológicas e o stress não é excepção.

Em situação de stress, o ritmo cardíaco pode subir, a pressão arterial pode aumentar e o sangue é desviado de sua rota, indo para os braços, pernas e cabeça para rapidamente pensar, lutar ou fugir.

Isto é o esperado como sendo resposta temporária para ajudar na sobrevivência, porém, quando o stress se torna crónico, pode trair a saúde, causando danos à saúde intestinal e digestiva.

Como o stress impacta o intestino

A resposta ao stress causa uma série de eventos prejudiciais ao intestino, incluindo:

Redução na absorção de nutrientes

Redução da oxigenação do intestino

Cerca de quatro vezes menos fluxo sanguíneo ao sistema digestivo levando à redução do metabolismo

Redução da produção enzimática no intestino, cerca de 20.000 vezes!

Porém, isto não é tudo.

Em rigor o humano possui dois cérebros, um dentro do crâneo e outro no intestino. Curiosamente, estes dois órgãos são, na verdade, constituidos pelo mesmo tipo de tecido.

Durante o desenvolvimento fetal, uma parte torna-se o sistema nervoso central, enquanto a outra desenvolve o sistema nervoso entérico.

Estes dois sistemas estão conectados via nervo vago, o décimo nervo craniano que funciona desde o tronco encefálico até o abdómen.

Este "eixo cérebro-intestino" é o que conecta os dois cérebros e explica por que se sente borboletas no estômago quando se está nervosa(a), por exemplo.

Igualmente, o stress resulta em alterações na conexão cérebro-intestino podendo contribuir ou directamente causar diversas doenças gastrointestinais, incluindo:

Doença inflamatória intestinal (DII)

Síndrome do intestino irritável (SII)

Respostas adversas a alimentos relacionados a antígenos (alergias a alimentos)

Úlcera péptica

Refluxo gastroesofágico (DRGE)

Outras doenças gastrointestinais funcionais

Conforme divulgado pelo estudo realizado pelo Journal of Physiology and Pharmacology (Jornal da Fisiologia e Farmacologia):

"O stress, definido como ameaça aguda à homeostase, demonstra efeitos tanto em curto prazo quanto em longo prazo nas funções do trato gastrointestinal. Os principais efeitos do stress na fisiologia do intestino são:

Alterações na motilidade gastrointestinal

Aumento na percepção visceral

Alterações na secreção gastrointestinal

Efeitos negativos na capacidade regenerativa da mucosa gastrointestinal e no fluxo sanguíneo da mucosa

Efeitos negativos na microbiota intestinal

Os mastócitos (MC) são efectores importantes do eixo cérebro-intestino que traduzem os sinais de stress em libertação de uma ampla gama de neurotransmissores e citocinas pró-inflamatórias que podem profundamente afectar a fisiologia gastrointestinal."

Harvard revê como o stress pode causar transtornos estomacais

Hipócrates disse certa vez que "todas as doenças começam no intestino" e é igualmente amplamente sabido que o stress é um gatilho no desenvolvimento de múltiplas doenças crónicas. Estes dois dogmas da saúde estão, na verdade, intrinsecamente interligados, pois o stress é prejudicial à saúde do intestino e, juntos, stress e intestino danificado podem contribuir com múltiplas doenças e condições inflamatórias, como:

Esclerose múltipla

Diabetes tipo 1

Artrite reumatóide

Osteoartrite

Lúpus

Doença de Crohn

Colite ulcerosa

Doenças crónicas da pele

Problemas renais

Doenças urinárias

Doenças alérgicas e atópicas

Doenças degenerativas

Síndrome da fadiga crónica

Fibromialgia

Encefalomielite miálgica

Doenças inflamatórias intestinais

Para simplificar, o stress crónico (e outras emoções negativas como raiva, ansiedade e tristeza) pode acionar sintomas e doenças intestinais plenas. Os pesquisadores de Harvard explicam:

"A psicologia combina com factores físicos para causar dor e outros sintomas intestinais. Factores psicossociais influenciam a fisiologia real do intestino, assim como os sintomas. Em outras palavras, o stress (ou depressão ou outros factores psicológicos) pode afectar o movimento e as contrações do trato GI, causar inflamações ou deixá-lo(a) mais susceptível a infecções".

Além disso, uma outra pesquisa sugere que algumas pessoas que apresentam transtornos GI funcionais sentem dor mais agudamente que outras porque seu cérebro não regula de forma adequada os sinais de dor vindos do trato GI. O stress pode tornar a dor existente ainda mais acentuada. Curiosamente, a conexão possui mão dupla, o que significa que enquanto o stress pode causar problemas intestinais, os problemas intestinais podem igualmente prejudicar as emoções. Os pesquisadores de Harvard continuam:

"Esta conexão possui mão dupla. Um intestino problemático pode enviar sinais ao cérebro, assim como o cérebro pode enviar sinais ao intestino. Assim, o desconforto estomacal ou intestinal de uma pessoa pode ser a causa ou o produto da ansiedade, do stress ou da depressão. Isto acontece porque o cérebro e o sistema gastrointestinal (GI) estão intimamente conectados, tão intimamente que deveriam ser vistos como um sistema único."

Desequilíbrios intestinais podem torná-lo(a) depressivo(a), ansioso(a) e mais...

Se se sente stressado(a), é essencial observar que isto não somente poderia afectar a saúde de intestino como igualmente pode ser causado pela saúde do intestino, ou mais especificamente, por sua ausência.

Progressivamente, evidências científicas mostram que nutrir a flora intestinal com bactérias benéficas provenientes de alimentos fermentados ou probióticos é extremamente importante para a função adequada do cérebro e isto inclui bem-estar psicológico e controlo do humor.

Por exemplo, o probiótico conhecido como Bifidobacterium longum NCC3001 demonstrou normalizar a ansiedade em ratos sofrendo de colite infecciosa.

Uma pesquisa publicada em 2011, igualmente demonstrou que probióticos promovem efeito directo na química cerebral sob condições normais de tal forma que podem impactar os sentimentos de ansiedade e depressão.

Em resumo, o probiótico Lactobacillus rhamnosus promoveu efeito acentuado nos níveis de GABA (neurotransmissor inibidor significativamente envolvido na regulação de diversos processos fisiológicos e psicológicos) em certas áreas do cérebro e reduziu a hormona corticosterona induzida pelo stress, resultando em comportamento relacionado à ansiedade e à depressão.

Os autores concluíram:

"Juntos, estes resultados destacam o importante papel das bactérias sobre a comunicação bidireccional do eixo intestino-cérebro e sugerem que certos organismos podem ser comprovadamente úteis como adjuntos terapêuticos em distúrbios relacionados ao stress, como ansiedade e depressão."

Curiosamente, neurotransmissores como a serotonina, são igualmente encontrados no intestino. Na verdade, a maior concentração de serotonina, envolvida no controlo do humor, da depressão e na inibição da agressividade, está nos intestinos e não no cérebro!

O Harvard Health Beat (Compasso da Saúde de Harvard, em tradução livre) compilou uma lista útil de sintomas físicos, comportamentais e emocionais do stress. Estamos todos expostos ao stress quase diariamente, porém, estes sinais demonstram que o stress pode ter se tornado esmagador em sua vida e pode estar aumentando os riscos relacionados a problemas de saúde:

Sintomas Físicos

Músculos rígidos ou tensos, especialmente no pescoço e nos ombros

Cefaleia

Dificuldade em dormir

Tremores ou estremecimentos

Recente perda de interesse por sexo

Ganho ou perda de peso

Inquietação

Sintomas comportamentais

Procrastinação

Ranger dos dentes (bruxismo)

Dificuldade em concluir tarefas no trabalho

Alterações na quantidade de álcool ou alimentos que se consome

Começar a fumar ou fumar mais do que de costume

Aumento do desejo de estar com outras pessoas ou longe delas

Ruminação (falar com frequência ou inquietação sobre situações stressantes)

Sintomas emocionais

Choro

Insuportável sensação de tensão ou pressão

Dificuldade de relaxar/ nervosismo

Temperamento inquietante

Depressão

Dificuldade de concentração

Dificuldade em lembrar-se de coisas

Perda do senso de humor

Indecisão

À medida que o stress se instala, exercícios são geralmente muito úteis para aliviar e clarear a mente. Outras ferramentas comuns para a redução do stress com alta taxa de sucesso incluem preces, meditação, risada e ioga, por exemplo. Aprender técnicas de relaxamento, tais como respirar profundamente e visualização positiva, que é o "idioma" do subconsciente.

Quando se cria uma imagem visual de como se gostaria de se sentir, seu subconsciente entenderá e começará a ajudá-lo(a) promovendo alterações bioquímicas e neurológicas.

Minha ferramenta favorita para gerir o stress é a EFT (Técnica da Libertação Emocional), que é como uma acupuntura sem agulhas.

É uma ferramenta útil, sem custo, para descarregar a bagagem emocional rapidamente e sem dor e é tão fácil de aprender que até crianças podem aprendê-la. Enquanto se usa estas ferramentas para ajudar a manter os níveis de stress sob controlo, pode-se igualmente apoiar a saúde intestinal da seguinte forma:

Evitando açúcar/frutose: O consumo excessivo de açúcar e de frutose deturpará a proporção entre boas e más bactérias do intestino servindo como fertilizante/combustível para bactérias patogénicas, fermentos e fungos que negativamente inibem as bactérias benéficas do intestino.

Consumindo alimentos fermentados: Alimentos tradicionalmente produzidos, fermentados e não pasteurizados são uma óptima fonte de probióticos. Opções saudáveis são o lassi (bebida indiana à base de iogurte, tradicionalmente apreciada antes do jantar), leite orgânico proveniente de animal alimentado a pasto como o kefir, diversos vegetais em conserva como repolho, nabo, berinjela, pepino, cebola, abóbora e cenoura, e natto (soja fermentada).

Usando suplementos probióticos: Se não se consome alimentos fermentados, ingerir um suplemento probiótico de alta qualidade é definitivamente recomendado. Conforme pesquisadores declararam, "probióticos podem profundamente afectar as interações cérebro-intestino ("microbioma do eixo intestino-cérebro") e atenuar o desenvolvimento de distúrbios induzidos pelo stress tanto no trato gastrointestinal superior quanto no inferior".

Dormir em completa escuridão: Isto é necessário para a produção adequada da hormona melatonina. Uma pesquisa realizada sugere que a melatonina, importante mediador do eixo cérebro-intestino, demonstrou exibir importantes efeitos protectores contra lesões induzidas pelo stress no trato gastrointestinal.

Fonte: Dr. Mercola

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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