Pólipos no intestino

O termo pólipo é utilizado para descrever uma lesão (excesso de tecido) que se projecta da parede interna de um órgão para o seu lúmen. Os mais frequentes são os pólipos do intestino grosso (cólon e reto), podendo no entanto surgir em qualquer local do tubo digestivo, como por exemplo no intestino delgado, estômago e esófago. O termo polipóide refere-se a qualquer lesão com forma de pólipo.

Os pólipos intestinais variam em localização, dimensão, forma e tipo histológico (o aspecto das células que o constituem).

A maioria das pessoas desenvolve apenas um pólipo, contudo não é raro, estas lesões serem múltiplas.

As poliposes intestinais referem-se a um conjunto de doenças hereditárias caracterizadas pelo desenvolvimento de múltiplos pólipos ao longo do intestino.

Muitos pólipos são inofensivos, contudo, alguns são precursores do cancro do cólon. Em geral, quanto maior o tamanho do pólipo, maior o risco da lesão já conter malignidade. A melhor prevenção do cancro do cólon é assegurada pelo rastreio de pólipos e sua remoção.

Localização dos pólipos no intestino

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No que se refere à localização, os pólipos do intestino são descritos de acordo com a sua posição nos diferentes segmentos do cólon (intestino grosso) e reto. Habitualmente, o intestino grosso é dividido em 5 partes, sendo que da parte proximal (zona mais próxima do intestino delgado) até à distal se designam por: cego, ascendente, transverso, descendente e sigmóide. O reto constitui o segmento mais distal, imediatamente acima do canal anal.

Tipos de pólipos

Os pólipos podem ser descritos de acordo com várias características. Em termos de configuração, os pólipos são habitualmente divididos em dois tipos: pediculados e sésseis. Os pólipos pediculados possuem uma morfologia semelhante a um cogumelo, com um tronco e a cabeça. Os pólipos são descritos como sésseis quando possuem um formato aplanado (sem pedículo).

Em termos histológicos, os pólipos dividem-se genericamente em adenomatosos e hiperplásicos. O aspecto endoscópico pode sugerir qual o tipo histológico, contudo o diagnóstico definitivo depende da avaliação microscópica.

Os adenomas são os pólipos mais frequentes e têm o potencial de degenerar em cancro colorretal. A grande maioria dos cancros do cólon e reto desenvolve-se a partir de um adenoma ao longo de vários anos (geralmente 5-15 anos). Como regra geral, conforme já referido, quanto maior o adenoma, maior o risco de conter malignidade. Os adenomas são caracterizados pelo tamanho e características específicas ao exame microscópico, nomeadamente a arquitectura que pode ser tubular ou vilosa e o grau de displasia.

Os pólipos são considerados malignos quando contêm foco(s) de carcinoma.

Os pólipos hiperplásicos são geralmente de pequeno tamanho, localizam-se na porção mais distal do intestino grosso (sigmóide e reto) e são tidos como lesões sem potencial maligno.

Pólipos intestinais - causas

Admitem-se na literatura vários factores de risco para o desenvolvimento de pólipos intestinais. Há claramente uma predisposição genética e um papel fundamental da dieta e das características do estilo de vida.

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Apesar das causas exatas não serem completamente conhecidas, têm sido descritos como fatores de risco para o desenvolvimento de adenomas o consumo de gordura, o excesso de bebidas alcoólicas e a dieta pobre em fibras e vegetais. O consumo de tabaco, a obesidade e o sedentarismo também conferem um maior risco para o desenvolvimento de pólipos. Pelo contrário, o uso de aspirina e outros anti-inflamatórios não esteróides e uma dieta enriquecida em cálcio poderão ter um efeito protector.

Os pólipos intestinais são muito frequentes. De facto, cerca de uma em cada quatro pessoas com mais de 50 anos desenvolverá pelo menos um pólipo do cólon.

A presença de história familiar de pólipos, sobretudo em familiares de primeiro grau, está associada a maior risco desta patologia.

As síndromes de polipose são um conjunto de doenças hereditárias que ocorrem no indivíduo jovem, cursam com o desenvolvimento de múltiplos pólipos (tipicamente mais de 100) no tubo digestivo e resultam num risco elevado de cancro do cólon e reto. São alguns exemplos a polipose adenomatosa familiar (PAF), o Síndrome de Gardner, a Síndrome de Turcot e a Síndrome de Peutz-Jeghers. Para além do desenvolvimento de pólipos, estes síndromes caracterizam-se pela presença de várias manifestações extra-intestinais.

O Síndrome de Lynch (cancro colorectal hereditário sem polipose), também incluída nos síndromes associados a cancro familiar confere um risco acrescido de cancro colorretal em idades mais jovens e os tumores localizam-se sobretudo no cólon direito (cego e ascendente). O Síndrome de Lynch está ainda associada a maior risco de cancro da mama, estômago, intestino delgado, trato urinário e ovário.

Pólipos do intestino - sintomas e sinais

A maioria dos doentes com pólipos intestinais não apresenta sintomas, sobretudo quando os pólipos são de pequenas dimensões. Ocasionalmente os pólipos resultam em perda de sangue nas fezes e raramente em alteração dos hábitos intestinais (diarreia ou obstipação). Em casos também raros, no indivíduo com adenomas vilosos de grandes dimensões tipicamente localizados no reto ou sigmóide, pode surgir diarreia grave.

A pesquisa de sangue oculto nas fezes, frequentemente solicitada como exame de rastreio do cancro colorretal poderá ser positiva no doente com pólipos do cólon. A perda de sangue com origem nos pólipos intestinais pode resultar em anemia.

Diagnóstico dos pólipos intestinais

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Habitualmente, os pólipos do cólon são detectados em indivíduos assintomáticos submetidos a programas de rastreio ou são um achado ocasional em doentes submetidos a investigação por queixas intestinais ou no decurso de estudo de anemia por défice de ferro.

O diagnóstico é frequentemente realizado durante um exame designado por colonoscopia que possibilita a exploração de toda a extensão do cólon, sendo considerado o melhor exame para o diagnóstico e tratamento dos pólipos.

Complicações do pólipo do intestino

Como já referido, alguns pólipos do cólon podem degenerar em cancro colorretal.

O cancro colorretal é prevenível se as lesões precursoras (pólipos adenomatosos) forem detectadas e removidas antes de se tornarem malignas.

Durante a colonoscopia, os pólipos observados são removidos, o que elimina o risco de se tornarem malignos.

Pólipo intestinal tem cura?

A maioria dos pólipos intestinais pode ser removido durante a realização de uma colonoscopia. A polipectomia, na esmagadora maioria dos casos, resulta na cura.

Após a sua remoção, os pólipos são enviados para exame patológico para garantir que são benignos (não contêm cancro). Por vezes, não é exequível a remoção endoscópica do pólipo ou é detectado um foco de carcinoma durante o exame histológico. Nestes casos a cirurgia poderá ser necessária.

A importância de um pólipo não termina com a sua remoção. A existência de um pólipo permite identificar os indivíduos com maior risco de ter novos pólipos ou cancro intestinal no futuro. Dependendo do número, tamanho e tipo histológico dos pólipos removidos, o médico providenciará aconselhamento quanto à necessidade e timing da colonoscopia de vigilância. Habitualmente a colonoscopia de vigilância tem lugar 3 a 5 anos após o exame inicial em que foi realizada a polipectomia, contudo este intervalo poderá, em situações específicas, ter de ser encurtado.

Pólipo intestinal - tratamento

O tratamento dos pólipos intestinais depende do seu número, tipo, tamanho e localização. A maioria dos pólipos poderá ser removida pelo médico gastrenterologista durante uma colonoscopia num procedimento designado de polipectomia. Durante a colonoscopia, após a identificação do pólipo, o médico decidirá se é exequível a sua exérese endoscópica e qual a melhor estratégia para que a ressecção seja curativa e resulte no menor risco possível de complicações.

Um pequeno número de pólipos, pelas suas características, não é passível de remoção endoscópica. Estes doentes terão indicação para cirurgia.

A maioria dos doentes submetidos a remoção de pólipos intestinais necessitará de vigilância endoscópica cuja frequência será ditada pelo número de pólipos, pelo tamanho do pólipo de maiores dimensões e pelo tipo histológico.

Polipectomia

O termo polipectomia corresponde ao procedimento de remoção de pólipos. Após identificação de um pólipo, de acordo com seu o tamanho e localização, o médico gastrenterologista decidirá qual a técnica mais indicada para proceder à sua remoção. Os pólipos mais pequenos são habitualmente removidos com recurso a pinça endoscópica. Já os pólipos de maiores dimensões exigem a utilização de acessórios específicos como ansas com as quais os pólipos são laçados e posteriormente cortados com a passagem de corrente gerada por uma fonte de electro cirurgia.

Em determinados tipos de lesões, a ressecção endoscópica poderá exigir a utilização de técnicas mais avançadas, como por exemplo a mucosectomia ou a dissecção endoscópica da submucosa.

A polipectomia não é um procedimento doloroso (não provoca dor), mesmo que realizado sem sedação.

Raramente os pólipos têm características que contra-indicam a sua remoção endoscópica e poderão exigir a realização de cirurgia.

A polipectomia é um procedimento seguro, com um risco baixo de complicações. As complicações mais frequentes são a hemorragia e a perfuração. Felizmente a ocorrência de complicações é rara e na maioria dos casos podem ser resolvidas durante a colonoscopia. A cirurgia poderá ser necessária no caso de perfuração intestinal.

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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