Iodo

Talvez a melhor maneira de exemplificar a importância do iodo para a saúde seja explicando a constatação de que quantidades insuficientes, isto é, uma deficiência é a causa mais comum no planeta de danos cerebrais evitáveis. Ainda mais surpreendente é uma pesquisa que afirma que a deficiência de iodo é completamente evitável, pelo menos no mundo ocidental.

Na verdade, de acordo com um estudo, mesmo uma diminuição moderada nos níveis de iodo pode causar uma perda de 10 a 15 pontos no quociente de inteligência (QI). Intencionalmente ou não, as grávidas nutrem a futura saúde de seus bebés com suas próprias escolhas alimentares e seu estilo de vida. É importante fazer todo o possível para garantir a saúde geral de uma criança após o nascimento, mas a saúde cerebral do bebé em desenvolvimento, antes mesmo do nascimento, é de vital importância.

É imperativo que as grávidas consumam quantidades adequadas de iodo para o desenvolvimento cerebral do feto e, mesmo pequenas quantidades através do leite materno ajudam os bebés nos primeiros meses após o nascimento, a ponto de melhorar o QI. Em todos os outros casos, aumentar a ingestão de iodo pode melhorar a cognição.

Em todo o mundo, níveis alarmantemente baixos de iodo são um problema comum nas regiões em desenvolvimento, mas, estão se tornando mais predominantes nos países ocidentais. De facto, um estudo datado há mais de 20 anos já revelava isso e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um quinto da população da Europa, onde o sal iodado é raro, tem deficiência de iodo.

A revista Spirituality and Health noticía que, entre os benefícios dos níveis equilibrados de iodo para a saúde, um dos mais importantes é que ajuda na protecção contra toxinas e isso vale tanto para adultos quanto para crianças. No entanto, a população dos EUA não está ingerindo iodo suficiente. Além disso:

"A suplementação pré-natal, por exemplo, não contém iodo necessariamente e, embora os alimentos processados certamente tenham alto teor de sódio, geralmente não contêm sal iodado. Alimentos caseiros preparados com sal de cozinha fornecem mais iodo do que uma refeição congelada industrializada. O sal marinho, que está mais popular do que nunca, nem sempre é enriquecido com iodo e, ainda, uma outra fonte antiga, o pão, não contém mais iodo."

Nootrópicos: a saúde cerebral potencializada

Uma substância conhecida como "nootrópico", ou "smart drug", pode reparar os neurónios danificados e melhorar a função cerebral. O termo nootrópico pode se referir a compostos nos alimentos ou suplementos que têm a capacidade de melhorar as habilidades mentais, como a memória, capacidade de foco, motivação ou até mesmo o humor. O Medical Daily explica:

Os neurocientistas estão adquirindo uma compreensão mais compartimentada do cérebro e, o resultado são diversos fármacos novos, direccionados para regiões específicas do cérebro. O mesmo conhecimento, no entanto, pode revelar que suplementos específicos podem ser igualmente bons em melhorar a função cerebral a longo prazo.

O iodo, como um oligoelemento essencial, é um nootrópico de acção rápida, capaz de prevenir a degeneração cerebral posteriormente na vida. Um aspecto importante é que se combina com o aminoácido tirosina para formar as hormonas tiroidianas T4 (tiroxina), que possui quatro átomos de iodo, e T3 (triiodotironina), que possui três. De acordo com o Nootropics Expert:

"No cérebro, o T4 é convertido em T3 pelo selénio, que então afecta a expressão génica, controlando o metabolismo das células, activando as catecolaminas dopamina, noradrenalina e epinefrina. O deficiente funcionamento da tiróide, que geralmente é causado pela insuficiência de iodo, resulta em baixa cognição, dificuldade de aprendizagem, problemas de memória, depressão e ansiedade."

Um dos aspectos mais importantes do iodo é a sua importância na regulação, produção e uso dos receptores cerebrais, os chamados neurotransmissores. Como mencionado, o iodo é necessário para a produção de T4 e T3, e os receptores de hormonas tiroidianas no cérebro ajudam a regular a produção e o uso de todos os neurotransmissores importantes. Quando existe carência, podem surgir sintomas de hipotiroidismo. Esses incluem:

Insónia

Dificuldade de concentração

Sensibilidade ao frio

Fadiga

Depressão

Dores articulares e musculares

Pele e cabelos ressecados

Fluxo menstrual frequente e intenso

Sal iodado ajuda a aumentar o QI

Os consumidores nos EUA têm se beneficiado do sal iodado na forma de iodeto de potássio desde 1924 para reduzir os casos de bócio, caracterizados por um aumento da glândula tiróide. Os benefícios foram substanciais em termos de saúde cognitiva, facto descoberto por três economistas quando analisaram o QI de crianças nascidas pouco antes de 1924 e as nascidas logo após.

A Discover Magazine chamou de "experiência natural", pois registos militares de cerca de 2 milhões de recrutas do sexo masculino nascidos entre 1921 e 1927 forneciam todos os dados necessários:

"Todos os recrutas foram submetidos a um teste de inteligência padronizado como parte do alistamento. Os pesquisadores não tiveram acesso às notas dos testes, mas tinham um indício genial: os recrutas mais inteligentes eram designados às Forças Aéreas, enquanto os menos brilhantes iam para as Forças Armadas. Com isso, os pesquisadores puderam deduzir as pontuações nos testes com base nas áreas para as quais os recrutas foram seleccionados.

Os dados de inteligência foram combinados com a data de nascimento e a cidade natal, uma vez que os níveis de iodo no solo e na água variam consideravelmente de um lugar para outro. Para estimar quais regiões apresentavam naturalmente um teor alto ou baixo de iodo, os pesquisadores consultaram as estatísticas nacionais colectadas após a Primeira Guerra Mundial sobre a prevalência de bócio."

Curiosamente, quando os pesquisadores relataram suas descobertas ao Departamento Nacional de Pesquisas Económicas, uma estatística bastante perturbadora dizia respeito a 10.000 mortes nas décadas posteriores a 1924, que foram atribuídas à suplementação repentina de iodo entre pessoas com deficiência, o que, segundo se descobriu, poderia ter causado mortes relacionadas com a tiróide.

Mas a tendência mudou e tanto as deficiências de iodo como os sintomas relacionados foram "vencidos praticamente da noite para o dia". Além disso, o "Efeito Flynn", demonstrado por um aumento de três pontos nos níveis de QI colectivo de populações inteiras de países desenvolvidos no século XX, mostrou que o acréscimo de iodo ao sal havia sido uma ideia admiravelmente saudável.

O que a suplementação de iodo, ou sua carência, pode acarretar.

Onde os alimentos não são enriquecidos com iodo e a suplementação não é recomendada pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS), nem mesmo para as grávidas, os efeitos da deficiência de iodo são bastante evidentes. De facto, um sintoma é o cretinismo, causando um grave atrofiamento no desenvolvimento físico e mental, além de surdez.

O argumento para a suplementação com iodo é reforçado com as informações de um estudo de "custo-benefício" publicado no periódico Lancet Diabetes and Endocrinology, que descobriu que o aumento dos níveis de iodo para grávidas economizaria ao NHS em torno de £ 200 por mulher em despesas com saúde e aumento de 1,22 ponto no QI da criança.

Na verdade, o estudo britânico cita um potencial "benefício geral para a sociedade" de aproximadamente £ 4.500, por criança ao longo da vida e também abordou o facto de que, durante a gravidez e a lactação, os níveis de iodo precisam ser aumentados.

"Resultados de estudos anteriores mostram que a capacidade cognitiva da criança pode ser irreversivelmente prejudicada como resultado da leve deficiência de iodo da mãe durante a gravidez. Uma menor pontuação no quociente de inteligência (QI) tem amplas implicações nos custos económicos e sociais, porque a inteligência afecta o bem-estar, o rendimento e os resultados educacionais."

Desnecessário dizer que não se trata de como o estado se beneficiaria, mas das implicações para cada criança e aqui está o motivo: cinquenta milhões de pessoas em todo o mundo sofreram danos cerebrais devido a uma deficiência de iodo, observa a OMS. O Science Daily cita a observação preocupante dos autores do estudo: "A deficiência de iodo na gravidez continua sendo a principal causa de retardo evitável em todo o mundo.

Até uma leve deficiência de iodo durante a gravidez está associada ao menor QI das crianças". A suplementação adequada de iodo ajuda o organismo a se livrar das toxinas às quais se é exposto, tais como metais pesados e flúor.

Como o organismo assimila o iodo.

O iodo, que não deve ser confundido com iodeto, é a molécula que as células absorvem no corpo, mas não está prontamente disponível nos alimentos e suplementos. O iodeto, que é mais estável, é a forma geralmente encontrada nos suplementos. No corpo, a molécula de iodeto é convertida em iodo, a forma activa necessária para a glândula tiróide.

Não é preciso muito iodo para manter níveis saudáveis no organismo, mas um pouco por dia é fundamental para manter os órgãos no melhor de seu funcionamento. Como mencionado, o iodo ajuda a sintetizar as hormonas da tiróide, que regulam quase todos os sistemas do corpo. Várias hormonas secretados pela glândula tiróide ainda mantêm a produção e o metabolismo de energia.

Colocando de outra forma: todo o corpo conta com as hormonas da tiróide continuamente para produzir e aprimorar a função da glândula tiróide, que é controlada pela hipófise. A hipófise, por sua vez, é controlada pelo hipotálamo.

Como explicado pela Healthline, o hipotálamo "rege funções fisiológicas como regulador da temperatura, sede, fome, sono, humor, desejo sexual e libertação de outras hormonas no corpo". Em essência, essa ordem de comando, por assim dizer, é necessária para que se identifique os baixos níveis de hormonas da tiróide a fim de aumentar a sua secreção.

Por isso, o iodo é tão importante para a saúde da tiróide das crianças, antes de nascerem e no decorrer da vida. Isso faz toda a diferença para o crescimento normal e saudável e o desenvolvimento neurológico.

Perclorato: novas preocupações sobre uma antiga tradição.

Um estudo de 2014 sugere que fogos de artifício podem não ser tão inofensivos quanto se imagina, quando usado em celebrações. Na verdade, a sua precipitação não resulta apenas na poluição do ar e em resíduos de bário, cobalto, chumbo e estrôncio, mas também num produto químico pouco conhecido, chamado perclorato, afirma o site The Conversation.

O perclorato é uma preocupação, pois pode ter efeitos nocivos para o desenvolvimento do cérebro, de acordo com um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, envolvendo 21.000 grávidas no Reino Unido e na Itália. Elas não apenas apresentaram altos níveis de perclorato, como também baixos níveis de iodo.

Posteriormente, descobriu-se que seus bebés tinham risco consideravelmente maior de perda de QI. Há também os retardantes de chamas, que foram associados ao carcinoma papilífero, o tipo mais comum de cancro de tiróide, principalmente entre mulheres na pós-menopausa.

Os piores retardantes de chamas associados ao cancro são os éteres difenílicos polibromados (PBDE) e organofosfato, que podem levar a reduções no TSH (hormona estimuladora da tiróide).

Alimentos ricos em iodo e suplementação com iodo.

Muitos países, incluindo os EUA, costumam fortificar o sal com iodo. Se se pretender aumentar o iodo através dos alimentos, entre as opções mais ricas em iodo estão os vegetais do mar como kelps e algas vermelhas, iogurte orgânico, ovos orgânicos de galinhas criadas no campo e sal do Mar Celta.

Morangos e cranberries orgânicos e queijo orgânico integral não pasteurizado também têm um teor de iodo elevado. Observe que muitos médicos recomendam que seus pacientes diminuam a ingestão de sal ou até o eliminem da alimentação, como uma estratégia equivocada para diminuir o risco de pressão alta e doenças cardíacas.

Na verdade, uma proporção equilibrada de potássio e sódio exerce muito mais influência, portanto não corte sal até conhecer as verdadeiras implicações. A OMS recomenda que adultos em todo o mundo consumam 150 microgramas (mcg) de iodo por dia, sendo 250 mcg recomendados para grávidas e lactantes.

Neste mundo acelerado, com preocupações acerca de tudo, desde o solo pobre em nutrientes até aos aditivos químicos presentes no ar e na água, a busca pela saúde, por vezes, pode parecer um desafio. No entanto, quando surgem pesquisas para ajudar a fazer escolhas informadas sobre como aprimorar a saúde, vale a pena dar-lhes particular atenção.

Fonte: Dr. Mercola

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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