Cisto de Baker

O cisto de Baker, também chamado de cisto poplíteo, é uma lesão benigna, caracterizada pelo acúmulo de líquido numa pequena bolsa que surge atrás do joelho (região poplítea), formando um cisto, que se apresenta como um nódulo abaixo da pele. Em muitos casos chega a ser palpável e até visível e pode provocar dor e dificuldade de movimentação do joelho.

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De forma mais específica, sabe-se que esse cisto é formado entre dois grandes músculos que estão na região posterior e mais interna (medial) do joelho, o músculo gastrocnémico medial e o semimembranoso.

No adulto, o surgimento do cisto de Baker está comumente relacionado a lesões intra-articulares que podem levar ao acúmulo de líquido dentro da articulação (líquido sinovial), caracterizando uma inflamação que tende a formar o cisto. Já na criança, essa formação cística é mais rara, geralmente é descoberta ao acaso e não está relacionada a histórico de trauma no joelho.

Causas do Cisto de Baker

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O líquido sinovial é um líquido produzido dentro do joelho, e tem, como uma das principais funções, a lubrificação da articulação. De uma forma geral, existe um bom equilíbrio entre a produção e a absorção desse líquido por parte das estruturas articulares.

Quando ocorre uma produção excessiva do líquido sinovial (sinovite), normalmente por condições inflamatórias na articulação do joelho, como lesão meniscal, artrite e processos degenerativos que consequentemente causam inchaço no joelho, esse líquido, tende a ser comprimido e empurrado para se acomodar na região posterior do joelho, formando uma herniação na região poplítea, originando o cisto de Baker.

O excesso de líquido não absorvido pela articulação, pode também ser acumulado em uma estrutura semelhante a uma bolsa, chamada bursa poplítea, que se expande, dando origem ao cisto.

Outros exemplos de doenças que estão associadas à formação do cisto de Baker são a osteoartrose do joelho, artrite reumatóide, artrite infecciosa e traumas no joelho.

Factores de risco

Já que o surgimento do cisto de Baker está relacionado a uma condição que gera inflamação no joelho, pessoas de qualquer idade estão susceptíveis de o desenvolver, mas, indivíduos acima de 60 anos são os mais propensos. Isso acontece, principalmente porque com o passar do tempo a articulação do joelho fica cada vez mais propensa ao desenvolvimento de doenças degenerativas e inflamatórias como a osteoartrite.

Sinais e sintomas

Em alguns casos, sobretudo em crianças, o cisto poplíteo é assintomático e é descoberto por acaso, ao ser observado a presença de uma massa ou tumoração na região posterior do joelho. Mas os principais casos exibem sinais que indicam a presença dessa massa cística e dentre eles pode-se apontar:

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Inchaço na região posterior do joelho (por vezes, na perna também)

Dor bastante desconfortante na mesma região do inchaço ou em outras áreas do joelho

Sensação de pressão atrás do joelho

Percepção de saliência incomum na região posterior do joelho durante palpação (semelhante à sensação de tocar em um balão cheio de água)

Dor mais intensa ao esticar o joelho ou subir escadas

Rigidez na musculatura próxima do joelho.

Os sintomas podem piorar depois que o paciente com o cisto de Baker realiza exercícios físicos ou quando fica bastante tempo em pé ou parado em uma mesma posição.

Na maioria dos casos, os sintomas não ficam restritos à região posterior do joelho e, as queixas clínicas, estão mais associadas às doenças que deram origem ao cisto. Isso faz com que sinais e sintomas relacionados à osteoartrose ou lesão de menisco (ou outras doenças associadas), por exemplo, sejam muito comuns nesses pacientes.

Complicações do cisto de Baker

As principais complicações do cisto poplíteo ocorrem, quando o seu volume aumenta excessivamente ou quando se rompe. Nesses casos, os sinais e sintomas podem ser confundidos com doenças graves como trombose venosa profunda ou flebotrombo.

A região poplítea (onde surge o cisto), acomoda nervos e vasos sanguíneos importantes. Em casos em que o cisto é muito volumoso, o paciente pode apresentar sintomas de compressão dessas estruturas como, déficit neurológico ou dor intensa e edema na perna, pelo facto do cisto comprimir vasos importantes, diminuindo assim, o fluxo de sangue na perna.

Nos casos em que o cisto se rompe, o líquido que ele acomodava pode escorrer para a articulação ou por entre os músculos da perna, provocando uma reacção inflamatória. Este quadro vem acompanhado de dor e vermelhidão na região atrás do joelho e aumento de volume e empastamento (endurecimento) dos gémeos.

Diagnóstico e exames

Normalmente o cisto de Baker pode ser diagnosticado por meio de um exame físico, já que costuma ser palpável e visível. Porém, como em alguns casos os pacientes apresentam sinais e sintomas compatíveis com doenças mais graves como trombose, aneurisma ou tumor, torna-se necessário uma investigação mais criteriosa, envolvendo também exames de imagem.

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Além disso, a dor atrás da articulação do joelho pode ser confundida com vários outros diagnósticos como tendinite do músculo poplíteo, dos isquiotibiais ou mesmo com artrose do joelho, o que faz com que o exame físico deva ser criterioso e auxiliado pelas imagens.

O exame físico é feito com o paciente deitado de barriga para baixo e a palpação da região posterior do joelho é realizada com o joelho em extensão (esticado) e em flexão de 90 graus. Nessas condições, palpa-se uma massa arredondada, com aspecto gelatinoso, mas com bordas bem delimitadas. Aproximadamente em 45 graus de flexão do joelho o cisto normalmente não é palpável e, esse facto, é comumente utilizado para distinguir o cisto de Baker de outras massas sólidas como tumores, por exemplo.

Os exames de imagem que mais são utilizados para auxiliar o diagnóstico do cisto são: a ressonância nuclear magnética (RNM) e a ultrassonografia. A RNM é particularmente útil para diagnosticar lesões articulares associadas ao cisto.

A ultrassonografia não permite análise de outras estruturas do joelho, mas é muito útil para delimitar o tamanho e a localização do cisto, bem como, distinguir se o mesmo é constituído somente por líquido ou por algum tecido sólido.

Será bom lembrar que a radiografia do joelho tem utilidade para o diagnóstico de uma doença associada como no caso da artrose, mas não é útil para identificar o cisto em si.

Tratamento

Para a grande maioria dos pacientes o cisto poplíteo em si, não requer tratamento específico e, em alguns casos, desaparece simplesmente!

Quando o quadro do paciente envolve queixas importantes de dor, limitação funcional ou quando o cisto é muito volumoso, alguns tratamentos são ponderados. Mas de uma forma geral, o que requer tratamento é a doença que está causando ou causou o acúmulo de líquido na articulação e consequentemente o surgimento do cisto.

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Podem ser administrados medicamentos específicos como corticóides que, normalmente, reduzem a inflamação e aliviam a dor, mas não necessariamente garantem que o cisto não retorne. Além disso, esses medicamentos podem provocar alguns efeitos colaterais.

Outro procedimento que pode ser feito é a drenagem do líquido através de um procedimento chamado de aspiração, que muitas vezes é feito guiado por aparelho de ultrassom. Mas nestes casos, em pouco tempo, a bursa pode se encher de líquido novamente, principalmente se a causa primária não for tratada. Tende a ser um procedimento complicado porque o conteúdo do cisto costuma ser denso e viscoso e não completamente líquido, o que dificulta a aspiração.

A cirurgia de remoção do cisto é adequada quando as formas de tratamento anteriores não tiveram sucesso ou em casos em que este é muito volumoso e está comprimindo estruturas importantes da região poplítea.

De entre todas as possibilidades de abordagem, preferencialmente e fundamental é tratar e corrigir o que pode estar causando o acúmulo de líquido na articulação, favorecendo o resurgimento do cisto.

A Fisioterapia e o cisto de Baker

A fisioterapia visa uma abordagem global do paciente com cisto poplíteo, sobretudo com enfoque na doença ou lesão primária responsável pelo aumento do líquido intra-articular. Essa abordagem tende a promover a redução do volume do cisto, ao passo que a fonte do excesso de líquido no joelho começa a ser controlada.

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Nesse contexto, a reabilitação passa por fases que objectivam inicialmente a redução da dor e do processo inflamatório no joelho, através de ferramentas da eletroctermofototerapia. Com base na doença primária e do grau de comprometimento articular, o fisioterapeuta, desenvolve um programa específico de ganho de amplitude do movimento e de fortalecimento dos músculos dos membros inferiores, objectivando o reequilíbrio muscular, a melhora da absorção das cargas que passam pelo joelho e consequentemente a melhora funcional da estrutura.

Por fim, o tratamento abrange treino do controlo do movimento e do equilíbrio, na tentativa de devolver o paciente ao seu ambiente de vida diária ou de actividade desportiva, da melhor forma possível.

Existe prevenção?

Não existe um protocolo específico de prevenção do cisto de Baker, mas uma vez que entendemos que o seu surgimento está intimamente relacionado a outras doenças do joelho, pode-se inferir que a manutenção de força e de um bom equilíbrio da musculatura dos membros inferiores pode ser útil para prevenir o aparecimento do cisto de baker.


::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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