Cataratas

Identificada como uma "doença ocular de prioridade" pela Organização Mundial de Saúde, a catarata (quando as lentes dos olhos perdem a sua transparência) afectam mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo. Embora a catarata possa ser removida com sucesso pela cirurgia, esta abordagem é dispendiosa e a maioria dos indivíduos cegos pela catarata grave (Figura 1), nos países em desenvolvimento, não são tratados.

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Figura 1: Demonstração de um olho com catarata. Fonte da internet.

Em um primeiro momento, iluminação mais forte e uso de óculos podem ajudar a lidar com a catarata (Figura 2). Mas se a visão prejudicada interfere com as actividades normais, é necessário fazer a cirurgia de catarata. Felizmente, a cirurgia de catarata costuma ser um procedimento seguro e eficaz (Figura 3).

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Figura 2: Como a visão fica no olho normal (à esquerda) e com catarata (à direita). Imagem da internet.

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Figura 3: Cirurgia da catarata. Fonte https://visarehospitaldeolhos.com.br/cirurgia-de-olhos/cirurgia-de-catarata/

CLASSIFICAÇÃO DAS CATARATAS

Catarata relacionada com a idade

Também chamada de catarata senil, essa forma da doença ocorre devido ao envelhecimento. A catarata relacionada com a idade é dividida em três tipos, dependendo da sua localização.

1 - Cataratas nucleares - Formam-se no centro da lente, tornando o núcleo do olho turvo ou opaco. O centro do olho pode ficar com uma coloração amarela ou castanha.

2 - Catarata cortical - Aparece na forma de cunha e em volta das extremidades do núcleo.

3 - Catarata subcapsular posterior - Forma-se mais rapidamente do que os outros dois tipos e afecta a parte de trás da lente.

Catarata congénita

A catarata congénita está presente no nascimento e é formada durante o primeiro ano do bebé. Esse tipo é menos comum do que catarata relacionada com a idade. Esse tipo de catarata nem sempre apresenta sintomas e pode ser removida, caso interfira com a visão do bebé. A catarata congénita pode desenvolver-se se a mãe tiver uma infecção ou abusa de substâncias como drogas e álcool durante a gravidez. A catarata congénita ocorre em um a cada 5 mil nascimentos.

Catarata secundária

Cataratas secundárias são causadas por doenças ou medicamentos. As doenças que estão associadas ao desenvolvimento de cataratas incluem glaucoma e diabetes. O uso de medicamentos esteróides pode levar à catarata.

Catarata traumática

Cataratas traumáticas desenvolvem-se após uma lesão no olho, embora possa levar vários anos após o evento para que isso aconteça.

Catarata de radiação

Cataratas de radiação podem formar-se depois de um paciente passar por tratamento envolvendo radiação para tratar o cancro, por exemplo.

UM COLÍRIO PARA ELIMINAR A CATARATA

Um artigo publicado na revista científica Science de novembro e liderado pelos professores, Dr. Leah N. Makley e Dra Kathryn McMenimen, da Universidade da Califórnia San Francisco, nos EUA, descreve um composto recentemente identificado em ser o primeiro que tem solubilidade suficiente e com potencial para formar a base de um medicamento para aplicação como colírio contra a catarata.

A catarata é uma doença essencialmente do envelhecimento. Como se vê nas condições neurodegenerativas tais como a doença de Alzheimer e doença de Parkinson, uma característica da doença é o enovelamento incorrecto e a aglutinação em conjunto com proteínas cruciais. No caso das cataratas, as proteínas afectadas são conhecidas como cristalinas.

As cristalinas são o principal componente das células fibrosas, que formam as lentes dos olhos e as propriedades únicas destas células a tornam particularmente susceptível a danos.

Pouco depois do nascimento, todas as células fibrosas nos olhos perdem a capacidade de produzir novas proteínas ou em descartar as proteínas velhas. Então, as cristalinas dos olhos enquanto adulto são as mesmas que se tinha ao nascer.

Para que as lentes dos olhos possam funcionar bem, este reservatório permanente e finito de cristalinas deve manter tanto a transparência das células fibrosas quanto sua flexibilidade, enquanto os músculos dos olhos que constantemente esticam e relaxam a lente para nos permitir focar os objectos a diferentes distâncias.

As cristalinas realizam essas tarefas com a ajuda de proteínas conhecidas como chaperonas, actuando com um anticongelante, mantendo as cristalinas solúveis, em um delicado equilíbrio, mantendo-se em actividade durante décadas e décadas de nossas vidas.

Este estado das coisas é "delicado" porque as configurações patológicas e aglutinadas de cristalinas são muito mais estáveis ​​do que quando propriamente dobradas, isto é, quando as cristalinas assumem sua forma apropriada, ou formas saudáveis ​​e as chaperonas das células fibrosas devem resistir continuamente à forte tendência das cristalinas de se aglutinarem. Um processo semelhante é subjacente a outras perturbações relacionadas com o envelhecimento, tais como a doença de Alzheimer, mas, em cada uma dessas doenças a proteína específica que se aglomera em conjunto e o lugar no corpo onde ocorre essa aglutinação, são diferentes. Em todos os casos, estas proteínas que se agregam juntas são chamadas proteínas amilóides.

Num novo estudo, a equipe científica explorou uma diferença crucial entre as cristalinas que se dobram devidamente e as suas formas de amilóide, que formam aglomerados de cristalinas de forma simples, os agregados amilóides são mais difíceis de se dissolverem.

O grupo de pesquisa usou um método conhecido como fluorimetria diferencial de varredura de alto rendimento (em inglês, high-throughput differential scanning fluorimetry, HT-DSF), em que as proteínas emitem luz quando chegam ao seu ponto de fusão. A equipe usou a HT-DSF para aplicar calor sobre os aglomerados amilóides enquanto testavam milhares de compostos químicos. Mais uma questão tecnológica do que de inovação.

Uma vez que o ponto de fusão dos amilóides é maior do que a de cristalinas normais, a equipe focou-se em encontrar substâncias químicas que reduzem o ponto de fusão dos amilóides, agrupamentos, de cristalinas para o intervalo normal, saudável. Teoricamente, essa mesma metodologia poderia ser aplicada aos beta-amilóides que são encontrados na doença de Alzheimer.

O grupo começou com 2.450 compostos, eventualmente, reduzindo em 12 que são membros de uma classe química conhecida como esteróis (como as hormonas esteróides ou o colesterol). Um desses, conhecido como lanosterol, foi identificado a inverter as cataratas, em um artigo de Junho, na revista científica Nature, mas como o lanosterol tem solubilidade limitada, o grupo que publicou este estudo teve que injectar o composto no interior do olho para que pudesse exercer seus efeitos.

Usando o lanosterol e outros esteróis como pista, os pesquisadores testaram 32 esteróis adicionais e, finalmente, em um, o qual eles chamaram de "composto 29", como o candidato mais provável que fosse suficientemente solúvel para ser usado como colírio em catarata.

Testes em células em cultura do laboratório, a equipe confirmou que o Composto 29 estabilizava as cristalinas de forma significativa e as impedia de formar amilóides. Descobriram ainda que o composto 29 havia dissolvido os amilóides formados. Através dessas experiências, os pesquisadores estão começando a entender o mecanismo em detalhes. Agora é sabido onde o composto 29 se liga, o que permite saber exactamente como ele está actuando.

A equipe agora testará o composto 29 em uma formulação de colírio em camundongos portadores de mutações que os tornam predispostos a catarata. Com estas experiências, descobriram que as gotas restauram parcialmente a transparência das lentes dos camundongos afectados por cataratas.

Resultados semelhantes foram observados quando o composto 29 em forma de colírio foi aplicado em camundongos que desenvolveram naturalmente cataratas relacionadas com a idade e também quando o composto foi aplicado a tecidos de lentes humanas afectados pela catarata, as quais, foram removidos durante a cirurgia.

Os pesquisadores advertem que as medidas de lâmpada em fenda de transparência da lente usados ​​na pesquisa não são uma medida directa da acuidade visual e que, somente os ensaios clínicos em seres humanos podem estabelecer o valor do composto 29 como um tratamento para catarata. O composto 29 foi patenteado e está em teste pela empresa ViewPoint Therapeutics, fundada por um dos alunos dos pesquisadores. 

Os cães também são propensos ao desenvolvimento de cataratas. Cerca de 50% dos cães têm catarata por volta de nove anos de idade e praticamente todos os cães desenvolvem-na mais tarde na vida. Um medicamento eficaz em forma de colírio poderia potencialmente beneficiar cerca de 70 milhões de cães de estimação afectados, somente nos Estados Unidos.

Além do composto 29, potencial para o tratamento da catarata, os conhecimentos adquiridos através da pesquisa podem ter aplicações mais amplas, como a demência e distúrbios relacionados.

Se se observar uma micrografia electrónica com os agregados de proteína que causam a catarata, nota-se que esses amilóides são os mesmos que causam a doença de Alzheimer, Parkinson, ou doença de Huntington. Ao estudar a catarata, os cientistas foram capazes de colocar suas tecnologias como referência e em mostrar com uma prova de conceito de que essas tecnologias também podem ser usadas em doenças do sistema nervoso, conduzindo-os para um caminho, desde a primeira ideia para o desenvolvimento de uma droga até que se possa testa-la em ensaios clínicos.

COMO PREVINIR A CATARATA

FACTORES DE RISCO

Idade

Diabetes

Beber quantidades excessivas de álcool

Exposição excessiva à luz solar

Exposição à radiação ionizante, tal como a utilizada nos raios X e radioterapia para combater o cancro

História familiar de catarata

Pressão arterial elevada

Obesidade

Lesão ocular prévia ou inflamação

Cirurgia ocular anterior

Uso prolongado de medicamentos corticosteróides

Tabagismo.

SINTOMAS DE CATARATA

Nem todas as cataratas prejudicam a visão ou afectam a vida diária. Para aquelas que o fazem, os sintomas comuns incluem:

Visão nublada, confusa ou nebulosa

Visão com brilho de lâmpadas ou do sol

Dificuldade de dirigir à noite devido ao brilho dos faróis

Mudanças frequentes na prescrição de óculos

Visão dupla

Melhoria da visão ao perto que, em seguida, piora

Dificuldade em fazer as actividades diárias por problemas de visão.

Os pais precisam prestar atenção para sinais de catarata em bebés e crianças:

A criança pode não olhar directamente para um ponto ou não responder a rostos ou objectos grandes e coloridos. Uma criança que não consegue encontrar pequenos objectos quando está gatinhando, pode ter catarata.

A criança pode tentar proteger os seus olhos mais do que o esperado quando sob luz solar intensa. Isso acontece por causa do brilho reflectido nos olhos causado por uma catarata.

Os olhos da criança podem estar desalinhados e não se concentrarem em um mesmo ponto ao mesmo tempo (estrabismo).

Os olhos afectados podem ter movimentos errantes repetitivos (nistagmo). Isso geralmente é um sinal tardio de cataratas. Este sinal pode não se desenvolver até que o bebé atinja vários meses. A remoção da catarata, provavelmente, não vai corrigir toda a perda de visão nesse ponto.

Fonte: Pete Farley, da Universidade da Califórnia San FranciscoReferências

1.Makley LN, McMenimen KA, DeVree BT, Goldman JW, McGlasson BN, Rajagopal P, et al. Pharmacological chaperone for alpha-crystallin partially restores transparency in cataract models. Science. 2015;350(6261):674-7.

2.Zhao L, Chen XJ, Zhu J, Xi YB, Yang X, Hu LD, et al. Lanosterol reverses protein aggregation in cataracts. Nature. 2015;523(7562):607-11.

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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