A vida celular depende de um equilíbrio ácido-base


A este equilíbrio ácido-base podemos dar o nome de bioelectricidade ou electricidade da vida. E, através desta bioelectricidade podemos compreender a forma de manutenção e comunicação celular do organismo humano.

A qualidade de vida de uma célula está directamente relacionada à diferença de potencial (ddp) entre os líquidos intra e extra celulares. É essa diferença que faz com que a célula pulse, viva! Comunicação celular.

O líquido interno precisa conservar uma carga ligeiramente positiva, isto é, com o pH ácido. O líquido extra celular, no qual a célula está mergulhada, por outro lado, tem que ser mantido negativamente polarizado, isto é, com o pH ligeiramente alcalino.

Qualquer diminuição na diferença entre as cargas bioeléctricas desses dois líquidos reflectir-se-à na desaceleração da pulsação celular. E, células desvitalizadas é sinónimo de células envelhecidas. O mecanismo mais comum para que isso ocorra é a acidificação dos líquidos extra celulares, que variam rapidamente de acordo com o que acabamos de ingerir. Açúcar e farinha branca, frituras em óleos ranços, alimentos aditivados pelo processo industrial, bebidas gasosas etc., enfim, tudo aquilo que já conhecemos como alimentos de natureza bio estática e biocida, são os grandes protagonistas desse quadro onde as células mortas, igualmente acidificantes, só tendem a acelerar ainda mais o processo do envelhecimento. Pelo tempo que esse ciclo vicioso estiver em vigor, o organismo manter-se-à sob padrões de degenerescência orgânica...

Saúde versus Ausência de Saúde

Um corpo saudável é, (entre outras coisas) aquele, cujos órgãos de eliminação, conseguem retirar do organismo tanto a parte inaproveitável dos alimentos como os nutrientes que naquele momento lhe são desnecessárias e todo o lixo ácido resultante do metabolismo alimentar e orgânico.

Enquanto os mecanismos de eliminação estiverem saudáveis e a sobrecarga metabólica não for uma constante, sempre será fácil corrigir eventuais excessos.

Os problemas começam a aparecer quando passamos a acumular, de forma ininterrupta, uma quantidade de lixo maior do que conseguimos eliminar. Esse é o padrão para nos irmos progressivamente afastando do equilíbrio ácido-alcalino que mantém a saúde celular.

Sistemas Tampão

Para que o pH do sangue seja mantido dentro dos seus limites sãos, contamos com inúmeros sistemas de protecção conhecidos como sistemas tampão, mecanismo pelo qual, o organismo consegue absorver ou neutralizar os resíduos ácidos que a corrente sanguínea não tem mais condição de acumular, e que, os pulmões ou os rins, por incapacidade ou sobrecarga, se encontram sem condições de eliminar.

Quando utilizamos os tecidos conjuntivos como 'esponjas metabólicas', o lixo ácido é acumulado nas fibras do colagénio. E se esse padrão não for interrompido, a estrutura coloidal dos tecidos tende a se transformar num gel cada vez mais espesso que acaba se solidificando e provocando deformações estruturais.

Para neutralizar uma acidez do pH sanguíneo, o organismo tende a utilizar-se do fosfato de cálcio sob a forma mineral da hidroxiapatite, poderoso alcalinizante que armazenamos em abundância nos ossos. Este, quando em meio ácido, dissolve-se rapidamente e, desagua na corrente sanguínea até que o pH do sangue volte ao normal. Assim, em detrimento (em prejuízo) da densidade óssea, a possibilidade de um colapso metabólico, é neutralizada.

Pelo que acaba de ser exposto, urge que seja amplamente divulgada, como um serviço educacional de saúde pública, a informação, de que, a acidez da corrente sanguínea com todas as suas consequências patológicas, não é castigo de Deus nem tão pouco um jogo de sorte ou azar, mas sim, simplesmente, o reflexo da qualidade dos alimentos ingeridos, da inter relação do organismo com o meio ambiente que frequenta e das atitudes mentais geradas por cada indivíduo.

A Acidificação do Organismo

Rins e pulmões são os mais importantes portais de eliminação do lixo ácido. Os ácidos voláteis ou fracos, oriundos do metabolismo das proteínas de origem vegetal, são mais fáceis de serem normalmente eliminados pelos pulmões. Entretanto, a eliminação dos ácidos fortes, derivados do metabolismo das proteínas animais e elementos químicos, é restringida pelas limitações dos rins.

Desde que os ácidos sejam passíveis de ser naturalmente eliminados, a boa saúde do organismo não está ameaçada. Mas, se começamos a somar a ausência de vitaminas e sais minerais, dos quais depende a eficácia das enzimas digestivas e do ácido clorídrico, ao excesso de consumo de proteínas, logo começaremos a viver nos limites do perigo. E se a esse quadro adicionarmos uma corrente sanguínea constantemente sobrecarregada de resíduos ácidos (intoxicada), e mais rins e pulmões inadimplentes, aí sim, passamos a conviver com processos de degenerescência preocupantes.

No caso de um excesso de proteínas animais virem a accionar o sistema tampão dos tecidos conjuntivos, os resíduos ácidos resultantes do seu metabolismo ir-se-ão fixar nas fibras do colagénio, proteína responsável pela sustentação, respiração, nutrição e hidratação de todas as células e tecidos do organismo. E aí aguardarão até que a corrente sanguínea volte a se alcalinizar, ao trocar a nociva acidificação diurna, pela esperada natural eliminação e revitalização nocturna, para alcançarem os rins e serem eliminados.

Como diz o ditado popular: devemos comer como reis pela manhã e como príncipes ao meio dia, mas que comamos como pobres à noite. O preceito de nos abstermos de alimento nas três últimas horas que precedem o sono é um denominador comum à maioria dos inúmeros códigos de higiene alimentar. A sabedoria por trás de ambas as lógicas é que um aparelho digestivo em repouso, pelo menos à noite, garante a alcalinização do sangue e, consequentemente, a possibilidade de varredura e eliminação do lixo ácido armazenado nos tecidos conjuntivos ao longo do dia.

Alimentos Alcalinizantes

Se formos generalizar, as frutas, as verduras e os legumes seriam todos alimentos alcalinizantes, cujas maiores riquezas são: enzimas digestivas, sais minerais já ionizados e moléculas vivas de água, na medida em que estejam na sua forma original até à hora de serem preparados para consumo, já que a carga eléctrica de suas moléculas depende do campo electromagnético, no qual, se encontra inserido e, este depende, da forma do alimento como campo gravitacional!

A pesquisa sobre os alimentos ácidos e alcalinos leva-nos a listagens discordantes em vários aspectos. O gel da Aloe vera barbadensis Miller, entretanto, faz parte dos unanimemente considerados como um dos mais alcalinizantes. Semelhante ao limão, que apesar do sabor ácido, depois de metabolizado, deixa uma grande reserva alcalina no organismo.

Conclusão

O desenvolvimento da consciência e da "auto gestão" do equilíbrio ácido base é a solução para inúmeros problemas de saúde. Mascarar sintomas com a ingestão de remédios que, como diz seu nome, são feitos para remediar situações, reflecte o grau de consciência em que o mundo moderno se encontra submergido.

A saúde de um organismo, como já era de bom senso desde os tempos de Hipócrates, depende da higiene alimentar, pois é nos intestinos que a grande maioria das doenças florescem. Entretanto, devido à baixa qualidade dos alimentos actuais e à vida muito stressante (leia-se acidificante) que todos levamos, uma alimentação com maior percentagem de frutas e verduras da mais alta qualidade e a suplementação com alimentos funcionais bio-fito-minerálicos com grande potencial alcalinizante, não pode mais ser negligenciada nem classificada como supérflua, sobretudo quando sabemos que a acidificação do organismo extrapola a saúde física e atinge as esferas do bem-estar emocional e da sanidade mental.

A consciência do impacto que a higiene alimentar exerce sobre o metabolismo ácido-base do corpo físico e de seu reflexo sobre as reacções emocionais, também serve de grande ajuda para a redução no consumo de remédios, os quais produzem dejectos ácidos no organismo.

::: As informações contidas nestas páginas são resultado de pesquisas bibliográficas desenvolvidos pelo autor. Contudo, não deverão ser usadas como diagnóstico, pois cada caso terá a sua especificidade. Consulte sempre um profissional de saúde. ::: www.facebook.com/alquimiadoeu.eu  :  miguel.laundes@gmail.com  :  © Miguel Laúndes, 2021
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